Não vamos deixar esse tesouro ir para o fundo do mar

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“Sombra da Lua” por Inaldo da Paixão Santos Araújo

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Sombra da Lua - Inaldo Araújo

Sombra da Lua – Inaldo Araújo

Sombra da Lua - Inaldo Araújo - detalhe

Sombra da Lua – Inaldo Araújo – detalhe

“Sombra da Lua”, bonito texto de Inaldo da Paixão Santos Araújo, publicado hoje, 21 de maio de 2014 no editorial do jornal a Tarde – página A3:

“A maré que represava o rio muda seu curso. É justamente nesse instante que o veleiro “Sombra da Lua” recebe os últimos lotes de sua carga do artesanato de barro de Maragojipinho, em Aratuípe, Bahia. É hora de partir, se tudo correr bem, singrar o rio Jaguaripe, parar estrategicamente no porto da cidade que leva o mesmo nome, margear Cacha-Pregos, adentrar as águas tranquilas da contracosta de Itaparica, rasgar o mar da baía, aportar, em definitivo, em Água de Meninos.

Embora belas, não vou tratar, aqui, das viagens quinzenais de um dos “últimos saveiros da Bahia”. Muitas mídias já o fizeram, e bem. Aproveito este espaço tão somente para registrar que enquanto observo o “Sombra da Lua” sumir mansamente nas curvas do rio, permaneço absorto nas minhas dúvidas e inquietações. Sombras invadem meus pensamentos. Imagino os dias nos quais era possível partir de Jequié, de trem, tomar o vapor em Nazaré das Farinhas, cidade situada no Recôncavo baiano, e chegar a Salvador. Obviamente que não vivi esses tempos, mas os olhos de quem me relatou provavam o quanto era bom.

O saveiro parte levando riqueza em arte. Os pobres artistas do povo de Maragojipinho permanecem pobres. Pobres, não porque sejam desprovidos de bens, mas, sim, pela falta de um maior reconhecimento do valor do seu artesanato. Como já disse em outras oportunidades, mesmo sem ser um mecenas, sempre que posso, incentivo; sempre que posso, divulgo. A Feira dos Caxixis, em Nazaré, contribui para a divulgação dessa arte. Entretanto, me pergunto o porquê de a Infraero, que é uma empresa pública, em parceria com o governo do estado e com a prefeitura de Aratuípe, não reservar um espaço permanente no aeroporto de Salvador para que os artesãos de Maragojipinho possam expor e comercializar sua arte.

Se o barro, “na mão de Deus”, deu vida ao homem e o homem transformou o barro em arte, que a arte em barro do povo de Maragojipinho contribua, com a sombra da lua ou do sol, cada vez mais para a melhoria de vida daqueles pobres e, por vezes, esquecidos artistas.”

Inaldo da Paixão Santos Araújo

Mestre em Contabilidade, presidente do Tribunal de Contas do Estado, professor, escritor

inaldo_paixao@hotmail.com

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