Não vamos deixar esse tesouro ir para o fundo do mar

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João Lara Mesquita: Além do pré-lançamento do livro “Viva Saveiro”

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O jornalista João Lara Mesquita, em seu site Mar Sem Fim, a anunciar o pré-lançamento do livro “Viva Saveiro”, brinda-nos com uma ótima matéria em que cita outras importantes iniciativas de preservação das nossas tradições marítimas.

Pré-lançamento do livro “Viva Saveiro”

Esta é uma ótima notícia pra todos que gostam das nossas tradições marítimas. Veio em boa hora. A maior parte destas tradições são desconhecidas dos brasileiros que deveriam se orgulhar delas. Motivos não faltam. Entre tantos estão as embarcações típicas da costa brasileira, um acervo riquíssimo, filho da tradição oral que hoje está nos estertores não fosse o trabalho maravilhoso de alguns abnegados. Já citei muito o Carlos Eduardo Ribeiro Jr., do projeto Canoa de Tolda, que resgatou a derradeira canoa-de-tolda, remanescente de antiga e enorme frota, e a recuperou totalmente. Hoje a Luzitânia, que tem em seu ‘diário de bordo’ uma viagem com Lampião, navega livre e garbosa pelo baixo São Francisco mantendo viva a tradição. Obra do Carlos.
Outro mestre de todos nós é o Luiz Phelipe Andrés, um “mineiro com nostalgia do mar” como ele se define, que se mudou para o Maranhão e lá, entre outras “artes” criou o Estaleiro Escola do Tamancão para preservar esta arte prestes a sumir do mapa em razão  “do progresso”  anabolizado pela falta de conhecimento. O Brasil é o país mais rico do mundo em diversidade de embarcações típicas, fruto do encontro de europeus, asiáticos e africanos com os indígenas da costa. Sem falar do “DNA” que tiveram nossos antepassados, ligado umbilicalmente ao da escola naval portuguesa, a mais poderosa, moderna e rica de sua época. O resultado foi esta tradição que teima em existir até hoje. Temos dezenas de tipos de canoas de pau sendo que algumas,  em passado recente, portavam até duas grandes velas latinas (a canoa baiana). Além delas ainda nos resta algo como uns 30 a 40 outros modelos entre eles as jangadas de pau, semi-extintas por falta de matéria prima; ou os saveiros e lanchas rabo-de-peixe, da Bahia por exemplo, que foram protagonistas da nossa história, existem desde os tempos em que os portugas escolheram a Bahia como capital, e ainda foram imortalizados nas obras de Jorge Amado e Dorival Caymmi. Mesmo assim a grande maioria ignora a história e beleza do saveiro…
No Maranhão temos dezenas de modelos. Este estado tem a peculiaridade de ser cercado de água por todos os lados: de um o Atlântico, do outro lado fica o rio Tapajós e na fronteira com o Piauí corre o rio Parnaíba. Fora outros cursos d’água que formam lagoas no interior. Esta condição especial, associada à pobreza, ajudou os barcos típicos a resistirem até hoje naquelas plagas.
Luiz Phelipe Andrés é autor do belíssimo livro “Embarcações do Maranhão” (veja mais em: www.embarcacoesdobrasil.com.br) que registrou minuciosamente, em fotos e desenhos, cerca de 14 modelos. Para encerrar, Dalmo Abreu Filho, inspiração e principal responsável pelo excelente Museu Nacional do Mar, em São Francisco do Sul (SC), uma jóia que guarda em seu acervo, em perfeito estado, cerca de 60 modelos de todo o país e coleções de modelismo naval com mais de 200 peças.
Agora junta-se a este grupo meu amigo Pedro Bocca, baiano por adoção, que decidiu “pegar na unha” o abandono e definhamento dos saveiros  e, junto com um grupo de amigos, fundou o Viva Saveiro que não só valoriza e divulga estes barcos, como luta para preservar sua técnica de construção.
Eu tive o privilégio, durante minhas viagens pela costa brasileira, de fotografar centenas de barcos típicos em diversas situações diferentes. As fotos estão disponíveis no meu site, no Banco de Imagens. Estas fotos foram a base, e inspiração, para o lançamento do livro Embarcações Típicas da Costa Brasileira maravilhosamente editado pela Terceiro Nome.
Temos o que comemorar. Alguns destes barcos receberam o certificado do IPHAN e hoje são considerados patrimônio dos brasileiros. Sem estas pessoas e ações, o que resta desta tradição centenária estava fadada a desaparecer. Agora mais um livro vem aí, contribuindo para diminuir o fosso que separa os brasileiros de uma de suas  mais expressivas riquezas.
Vida longa ao “Viva Saveiro.”

Leiam a notícia na íntegra, http://marsemfim.com.br/pre-lancamento-do-livro-viva-saveiro/,  e aproveitem para conhecer o rico acervo de seu site, com muitos artigos, vídeos e banco de imagens – recomendamos!

Em 2010, na 3a. Semana do Saveiro, João Lara Mesquita fez parte da programação com noite de autógrafos do seu livro “Embarcações Típicas da Costa Brasileira”, veja mais em nossa postagem daquele ano, http://www.vivasaveiro.org/site/?p=83.

 

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