Não vamos deixar esse tesouro ir para o fundo do mar

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Bel Borba e os Saveiros

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bborba“Vela inflada, porão lotado, feijoada no caldeirão. É tudo que o Saveiro precisa para deslizar devagar na rampa do Mercado Modelo ou São Joaquim. Resultado do sincretismo náutico, o saveiro é descendente orgulhoso de barcos egípcios, chineses, indianos e holandeses. Sob o tijupá, muita farinha, carne de fumeiro, jacas, vergas, mastros, cabras, porcos, mudanças inteiras. Enquanto a mercadoria é negociada, o mestre faz do barco hotel, abrigando vendedores e ajudantes. O mestre aprendeu seu ofício em família, quase nada na escola, ele tem a serenidade dos sábios e é reverenciado por ter passado anos no corrimão, baldeando o convés, cozinhando, limpando, assuntando o tempo e as marés e por governar 15 toneladas de cultura e tradição que estão a perder-se no Recôncavo Baiano.

Mestres, contramestres, ajudantes, famílias enormes e unidas (que ainda pedem a benção dos mais velhos e lhes beijam a mão) estão em perigo de extinção desde que as estradas foram criadas. Das centenas de saveiros que inflavam velas na Bahia de Todos os Santos restam apenas 3 no serviço. É urgente que eles sejam preservados; o progresso não permitirá que eles voltem todos como num cartão postal dos anos 50, mas a poesia, os causos, os cantos, os sambas de roda, as regatas, os bordejos, a arqueologia recente do Recôncavo transformam estes poucos barcos em museus ativos flutuantes, evitando que excelentes navegadores se tornem péssimos ajudantes de pedreiro.

bel_borba2Quem mora na cidade não percebe o sumiço das velas na paisagem. O artista BEL BORBA deu-se conta do perigo após um passeio no SOMBRA DA LUA e doou um desenho baseado na obra de PIERRE VERGER para a camiseta do projeto SALVEM OS SAVEIROS, formado por um grupo preocupado com a cultura baiana. São engenheiros, tecnocratas, professores; baianos, fluminenses e paulistas que tem a firme vontade de acordar a Bahia para a sua própria história, manter a sustentabilidade das embarcações restantes e das famílias, preservar a baianidade e a beleza”.

http://www.belborba.com.br

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